O ex-governador e candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB) voltou a rebater uma fala do presidente Lula (PT), que se engajou na campanha do candidato a governador Hélio Costa (PMDB), na tentativa de evitar sua queda nas pesquisas. Em visita a Salinas, Aécio afirmou que o presidente é "sempre bem-vindo a Minas". Porém, disse que lamenta que o "presidente tenha sido induzido a erros por seus aliados". O ex-governador lembrou que, em comício em Betim, sexta-feira, Lula disse que o governo do estado "mudou" o nome do Programa "Luz Para Todos" - que é federal - para "Luz de Minas", reclamando que foi divulgado que 70% dos recursos gastos são estaduais. Aécio disse que "nunca existiu essa mudança do programa para "Luz de Minas". Ele explicou que o governo do estado recebeu financiamento da Eletrobrás para incrementar o programa. "Mas os financiamentos são pagos. Então, a responsabilidade maior pelo programas é do estado", concluiu. O governador Antonio Anastasia também disse que o presidente Lula é bem-vindo a Minas. "Mas, muitas vezes, ele não é informado corretamente sobre as coisas de Minas. E isso eu lamento", acrescentou.
sábado, 18 de setembro de 2010
No ar, mais uma falcatrua da Turma da Dilma, que agia dentro da Casa Civil. Será que ela também não sabia?
O diretor de Operações dos Correios, coronel Eduardo Artur Rodrigues, que assumiu o cargo em 2 de agosto numa "reformulação administrativa" comandada pela ex-ministra-chefe Erenice Guerra, é testa de ferro do empresário argentino Alfonso Conrado Rey. Alfonso, que mora em Miami, é o verdadeiro dono da empresa Master Top Linhas Aéreas (MTA). Ex-coronel da Aeronáutica, Rodrigues faz parte de um grupo de executivos e advogados que tem uma rede de empresas de fachada espalhadas pelo Uruguai, EUA e Brasil. Eles movimentam dinheiro para um casal de laranjas brasileiros, como provam documentos do Banco Central e trabalham para fazer da MTA o embrião da empresa de logística e carga aérea que o governo Lula promete criar após as eleições. O negócio atiça os empresários porque os Correios pretendem comprar dessas empresas aéreas os aviões da nova estatal. O Estado teve acesso e juntou documentos da Justiça e do Banco Central e da própria MTA que revelam o papel duplo do diretor dos Correios e ajudam a entender como a empresa já abocanhou R$ 60 milhões em contratos públicos. A MTA ganhou as manchetes nas últimas semanas por causa do tráfico de influência de Israel Guerra, filho da ministra Erenice, a seu favor. A ministra caiu na quinta-feira, depois de a revista Veja ter revelado que Israel intermediou junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a devolução da certificação de voo da MTA, que fora suspensa.Os documentos mostram que o coronel Artur envolveu-se pessoalmente no esquema montado para a empresa MTA funcionar no Brasil. Era, inclusive, consultado sobre decisões a serem tomadas. A legislação brasileira é clara: o capital estrangeiro não pode superar 20% em empresas aéreas. Para viabilizar a MTA com recursos externos e driblar autoridades, foi criada, de 2005 para cá, a tal rede com pelo menos seis empresas de fachada com sede em apenas dois endereços: um em Campinas e outro em Montevidéu, no Uruguai. Leia mais aqui.
Caraca, a Erenice do Tamiflu avisou a Dilma que iria pedir demissão! Quanta deferência! Ou é só intimidade?
Hoje, em Campinas, a chefona da Casa Civil confessou que falou com a secretária da sua alta confiança, Erenice Guerra, para as duas decidirem o que fazer frente ao escândalo da propina do Tamiflu dentro da Casa Civil:
"Enquanto trabalhou comigo mostrou muita capacidade, muita competência e idoneidade; qualquer ato que a desabone tem que ser provado e não vice-versa, então eu aguardo e não faço prejulgamento... Ela avisou que iria pedir demissão e eu disse que ficava a cargo dela".
Caraca, então elas continuam discutindo tudo nos mínimos detalhes? Até mesmo se a Erenice do Tamiflu deveria pedir demissão ou continuar no cargo? Estão de mãos dadas ou alguém ainda duvida?Ou a Dilma não disse, na frase aí, algo como "estou contigo para o que der e vier?"
Enquando a Turma da Casa Civil atrasava a compra de Tamiflu para acertar o preço da propina, morreram 2.150 brasileiros pela gripe suína. Tem que prender!
O Brasil registrou 99 mortes e 773 casos de Influenza A (H1N1), a gripe suína, nos oito primeiros meses de 2010, contabilizados até o dia 4 de setembro. Em 2009, 2.051 pessoas morreram em decorrência da doença no Brasil. Ao todo, 2.150 pessoas perderam a vida, em apenas 2 anos! Se não tivesse havido atraso na compra do Tamiflu, para que a Turma da Casa Civil, onde a Dilma era a "dama de ferro", negociasse propina para comprar o medicamento, quantas vidas seriam poupadas? Quantos brasileiros ainda estariam vivos? Se 2.150 vidas não são motivo de escândalo, o que vai fazer este país acordar? E mais! Apenas 90 milhões de brasileiros foram vacinados. Ficaram faltando 100 milhões de vacinas. Por quê? Para que a epidemia matasse mais gente e a compra de Tamiflu tivesse que ser ainda maior e mais superfaturada? Essa gentalha é capaz de tudo!
Dilma chamada a dar explicações ao país.
Da Veja:
O PSDB vai protocolar nesta segunda-feira um requerimento para que a ex-ministra Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, dê explicações à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado sobre as novas denúncias de propina dentro da Casa Civil. A oposição estuda ainda a possibilidade de convocar, assim que os trabalhos sejam retomados no Congresso, após as eleições de 3 de outubro, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os casos de corrupção na Casa Civil. Na mira estarão Dilma e sua sucessora, Erenice Guerra. Nesta semana, VEJA revela que funcionários da Casa Civil receberam em julho de 2009 - quando Dilma era ministra, portanto - propina por ter ajudado a azeitar a compra do medicamento Tamiflu, usado para conter uma epidemia de gripe H1N1 no país. Vinícius de Oliveira Castro, ex-sócio do filho de Erenice, recebeu 200 000 reais em dinheiro vivo em sua sala, a metros do gabinete da ministra-chefe da Casa Civil. O dinheiro estava em um envelope pardo dentro de sua gaveta. O vice-líder do PSDB no Senado, senador Alvaro Dias, que já havia requerido à Procuradoria Geral da República semana passada uma investigação do Ministério Público sobre o caso de tráfico de influência, deve anexar ao documento as novas denúncias. "É um lamaçal tão nojento que a indignação não pode ficar contida. A reação tem de ser do tamanho do crime. Em matéria de escárnio, esse caso supera o mensalão. Aconteceu nas barbas de Lula, na barra da saia de Dilma", disse Dias ao site de VEJA. Os tucanos haviam pedido na semana passada a convocação de Erenice para depor na CCJ. "Agora queremos ouvir Dilma. Queremos saber como pode ela não enxergar um propinoduto a sua frente. Ela tem de dar explicações. Não pode falar só quando o filho é bonito", disse o senador. "Se Dilma tivesse dignidade, renunciaria a sua candidatura. É difícil imaginar pessoas de bem votando em uma candidata desse governo."
Tecnicamente impossível.
O programa de TV do Serra que entrou à tarde, feito em São Paulo, foi gerado às 7 horas da manhã, para Brasília. O prazo quem define é o TSE. A Veja saiu às 9 horas da manhã. Já o programa da noite será gerado às 16 horas. Portanto, no programa que foi ao ar, não havia como explorar o novo escândalo da roubalheira em dinheiro vivo dentro da Casa Civil da Dilma. Mas, para hoje à noite, não tem desculpa.
Duas colunas imperdíveis.
Diogo Mainardi, em "Excesso de José Dirceu" e Guilherme Fiuza, em "Erenice em Guerra". Não deixem de ler.
Por que a Casa Civil estava analisando um projeto de energia alternativa?
Erenice Guerra deu uma entrevista à revista Isto É. Vejam esta resposta:
ISTOÉ – A sra. chegou a se encontrar com um representante da EDRB do Brasil, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho?
Erenice – Eu nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. Foi lá apenas para fazer a demonstração de um projeto de energia alternativa. É tudo o que eu sei sobre esse assunto. Mas efetivamente a Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.
Erenice – Eu nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. Foi lá apenas para fazer a demonstração de um projeto de energia alternativa. É tudo o que eu sei sobre esse assunto. Mas efetivamente a Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.
Agora vejam quais são as atribuições e competências da Casa Civil e tirem as suas próprias conclusões:
A Casa Civil, órgão essencial da Presidência da República, tem como área de competência os seguintes assuntos:
I - assistência e assessoramento direto e imediato ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, em especial nos assuntos relacionados com a coordenação e na integração das ações do Governo;
II - verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais;
III - avaliação e monitoramento da ação governamental e dos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, em especial das metas e programas prioritários definidos pelo Presidente da República;
IV - análise do mérito, da oportunidade e da compatibilidade das propostas, inclusive das matérias em tramitação no Congresso Nacional, com as diretrizes governamentais;
V - publicação e preservação dos atos oficiais;
VI - supervisão e execução das atividades administrativas da Presidência da República e, supletivamente, da Vice-Presidência da República;
VII - avaliação da ação governamental e do resultado da gestão dos administradores, no âmbito dos órgãos integrantes da Presidência da República e Vice-Presidência da República, além de outros determinados em legislação específica, por intermédio da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial;
VIII - execução das atividades de apoio necessárias ao exercício da competência do Conselho Superior de Cinema (Concine) e do Conselho Deliberativo do Sistema de Proteção da Amazônia (Consipam);
IX - operacionalização do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam); e
X - execução das políticas de certificados e normas técnicas e operacionais, aprovadas pelo Comitê Gestor da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP-Brasil).
Por que um projeto de energia alternativa, intermediado pelo filho da secretária da Dilma, seria recebido na Casa Civil pelo assessor indicado pelo filho da secretária da Dilma, com pleno conhecimento da secretária da Dilma? O interessado, se não houvesse um esquemão organizado como já ficou comprovado, deveria procurar quem? O Ministério das Minas e Energia? O BNDES? Mas por que a Casa Civil estava tratando deste tema, se não tinha competência para atender ou analisar pedidos desta natureza? E o Tamiflu? O que a Casa Civil tem a ver com Tamiflu?
Como eu faria o programa de hoje do Serra.
Entra o apresentador:
Entra a apresentadora:
O Brasil está acompanhando, escandalizado, as notícias sobre a roubalheira que foi instalada dentro da Casa Civil da Presidência da República. Dilma Rousseff era a Ministra-Chefe da Casa Civil e a distribuição de propina em dinheiro vivo acontecia ali, a poucos metros da sua sala de trabalho. A notícia está em todos os jornais. Nas principais revistas. É um escândalo jamais visto na história deste país. Muito mais grave do que o mensalão, por exemplo. E sabe o que eles estão querendo fazer para livrar a cara da Dilma? Culpar a secretária da Casa Civil, Erenice Guerra. Ela tem culpa, sim. Mas é claro que, como secretária, ela obedecia as ordens do chefe.
Entra a apresentadora:
As secretárias, em qualquer empresa, instituição ou órgão público tem um papel muito importante. Secretária é uma pessoa da mais alta confiança do chefe. Nenhum chefe tem uma secretária, em nenhum lugar, que não seja de total confiança. E mais: nenhuma secretária, em nenhuma empresa, estabelecimento, instituição toma decisões sem informar o chefe e sem ter a aprovação dele. Na Casa Civil, não é diferente. Você acha que a Erenice Guerra, a secretária da Dilma, poderia passar anos e anos tomando decisões sem que a sua chefe soubesse? Sem que alguém viesse para a Dilma e dissesse: "ministra, a sua secretária está fazendo algumas coisas suspeitas, está envolvida em negócios estranhos..." Será que desde 2005 a Dilma não conseguiu ver o que a Erenice fazia dentro da Casa Civil? Pensem bem: é possível? É possível que a secretária da Dilma fizesse tudo o que fez sem que ela soubesse ou pelo menos desconfiasse?
Entram entrevistas de secretárias.
Entram entrevistas de secretárias.
E nesta linha seguiriam os 7 minutos que mostrariam ao Brasil o quanto Dilma Rousseff é a responsável por tudo o que ocorria na Casa Civil. Os marqueteiros queixam-se que o povo não entende o que é corrupção, quebra de sigilo, propina. Do jeito que está aí em cima, transformando Erenice na secretária e a Dilma na chefe, o povo entende. Pelo menos aquela parte que pode definir o segundo turno. E até porque a história verdadeira é exatamente esta.
Erenice era secretária-executiva da Casa Civil. Não tinha poder de decisão. É total a responsabilidade de Dilma sobre os fatos ocorridos.
O Decreto 5.135, de 7 de julho de 2004, determina as responsabilidades de cada função dentro da Casa Civil.
Art. 5o - À Secretaria-Executiva compete:
I - assessorar e assistir ao Ministro de Estado, no âmbito de sua competência;
II - exercer a supervisão e coordenação das atividades dos órgãos integrantes da estrutura da Casa Civil;
III - colaborar com o Ministro de Estado na direção, orientação, coordenação e no controle dos trabalhos da Casa Civil e na definição de diretrizes e na implementação das ações da sua área de competência;
IV - submeter ao Ministro de Estado o planejamento da ação global da Casa Civil e a proposta orçamentária e a programação financeira anual da Presidência da República;
V - avaliar a implementação e o resultado final de ações específicas do Governo Federal, quando determinado pelo Ministro de Estado;
VI - receber, controlar e registrar as indicações para provimento de cargos no âmbito da Administração Federal;
VII - supervisionar e coordenar as atividades administrativas da Presidência da República e supletivamente da Vice-Presidência da República;
VIII - providenciar a publicação oficial e a divulgação das matérias relacionadas com a área de atuação da Casa Civil;
IX - receber e organizar o expediente a ser levado a despacho com o Presidente da República;
X - providenciar o atendimento às consultas e aos requerimentos formulados pelo Congresso Nacional;
XI - Subsidiar o Ministro nos assuntos orçamentários e financeiros da União;
XII - supervisionar e coordenar as atividades de relações públicas na Presidência da República; e
XIII - realizar outras atividades determinadas pelo Ministro de Estado.
Erenice Guerra era secretária-executiva da Casa Civil. Encontrem, acima, alguma atribuição que ela possa exercer que não necessite da delegação e aprovação da Ministra-Chefe. Dilma Rousseff é a responsável direta por tudo o que aconteceu dentro da Casa Civil. Erenice Guerra era tão somente a sua secretária. Uma reles secretária. Obedecia as suas ordens. As suas determinações. Dilma Rousseff deve explicações e respostas ao Brasil. A primeira delas é se deu ordens para que Erenice montasse um balcão de negócios sujos dentro da Casa Civil. Erenice não tinha caneta para o poder que dizem que ela tinha. A não ser que tivesse delegação da Ministra-Chefe Dilma Rousseff. É o que diz a lei. A não ser que ambas estivessem fora da lei.
Roubalheira na Casa Civil da Dilma.
Da Veja:
Funcionário da Casa Civil recebeu propina dentro da Presidência da República, perto do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a um andar do presidente Lula
Diego Escosteguy e Otávio Cabral
Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta.
O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 mil reais em dinheiro vivo – um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula. Vinícius, que flanava na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, começara a dar expediente na Casa Civil semanas antes, apadrinhado por Erenice Guerra e o filho-lobista dela, Israel Guerra, de quem logo virou compadre.
Apavorado com o pacotaço de propina, o assessor neófito, coitado, resolveu interpelar um colega: “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. O colega tratou de tranquilizá-lo: “É a ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”.
PP, no caso, era um recado – falado em português, mas dito em cifrão. Trata-se da sigla para os pagamentos oficiais do governo. Consta de qualquer despacho público envolvendo contratos ou ordens bancárias. Adaptada ao linguajar da cleptocracia, significa propina. Tamiflu, por sua vez, é o nome do remédio usado para tratar pacientes com a gripe H1N1, conhecida popularmente como gripe suína.
Dias antes, em 23 de junho, o governo, diante da ameaça de uma pandemia, acabara de fechar uma compra emergencial desse medicamento – um contrato de 34,7 milhões de reais. A “PP” entregue ao assessor referia-se à comissão obtida pela turma da Casa Civil ao azeitar o negócio Segundo o assessor, o governo comprara mais Tamiflu do que o necessário, de modo a obter uma generosa comissão pelo negócio.
Até a semana passada, Vinícius era assessor da Casa Civil e sócio de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, ex-ministra da pasta, numa empresa que intermediava contratos com o governo usando a influência da petista. Naturalmente, cobravam comissão pelos serviços.
Depois que VEJA revelou a existência do esquema em sua última edição, Vinícius e outro funcionário do Planalto, Stevan Knezevic, pediram demissão, a ministra Erenice caiu – e o governo adernou na mais grave crise política desde o escândalo do mensalão, e que ronda perigosamente a campanha presidencial da petista Dilma Rousseff.
Lançado ao centro do turbilhão de denúncias que varre a Casa Civil, Vinícius Castro confidenciou o episódio da propina a pelo menos duas pessoas: seu tio e à época diretor de Operações dos Correios, Marco Antonio de Oliveira, e a um amigo que trabalhava no governo. Ambos, em depoimentos gravados, confirmaram a VEJA o teor da confissão.
Antes de cair em desgraça, o assessor palaciano procurou o tio e admitiu estar intrigado com a incrível despreocupação demonstrada pela família Guerra no trato do balcão de negócios instalado na Casa Civil. Disse o assessor: “Foi um dinheiro para o Palácio. Lá tem muito negócio, é uma coisa. Me ofereceram 200 000 por causa do Tamiflu”.
Vinícius explicou ao tio que não precisou fazer nada para receber a PP. “Era o ‘cala-boca". O assessor disse ainda ao tio que outros três funcionários da Casa Civil receberam os tais pacotes com 200 000 reais; porém não declinou os nomes nem a identidade de quem distribuiu a propina. Diz o ex-diretor dos Correios: “Ele ficou espantado com aquela coisa. Eu avisei que, se continuasse desse jeito, ele iria sair algemado do Palácio”.
O cândido ex-assessor tem razão: dinheiro sujo dentro de um gabinete da Presidência da República é um fato espantoso. Nos últimos anos, sobretudo desde que o presidente Lula relativizou os crimes cometidos durante o mensalão, sempre que se apresenta um caso de corrupção à opinião pública surgem três certezas no imaginário popular.
* Primeiro, nunca se viu um escândalo tão escabroso
* Ninguém será punido
* O escândalo que vier a sucedê-lo reforçará as duas certezas anteriores.
A anestesiada sociedade brasileira já soube de dinheiro na cueca, dinheiro na meia, dinheiro na bolsa, dinheiro em caixa de uísque, dinheiro prometido por padre ligado a guerrilheiros colombianos. Mas nada se compara em ousadia ao que se passava na Casa Civil. Ficará consolidado no inverno moral da era Lula se, mais uma vez, esses eventos forem varridos para debaixo do tapete.
Já se soube de malfeitorias produzidas na Presidência, mas talvez nunca de um modo tão organizado e sistemático como agora – e, ao mesmo tempo, tão bisonhamente rudimentar, com contratos, taxas de sucesso e depósitos de propina em conta bancária.
Por fim, o que pode ser mais escabroso do que um grupo de funcionários públicos, ao que tudo indica com a participação de um ministro da Casa Civil, cobrar pedágio em negócios do governo? O mais assustador, convenha-se, é repartir o butim ali mesmo, nas nobres dependências da cúpula do Poder Executivo, perto do presidente da República e ao lado da então ministra e hoje candidata petista Dilma Rousseff.
Na semana passada, quando o caso veio a público, a candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff, tentou se afastar o quanto pôde do escândalo. Apesar de o esquema ter começado quando Dilma era ministra e Erenice sua escudeira, a candidata disse que não poderia ser responsabilizada por “algo que o filho de uma ex-assessora fez”. Dilma candidata não tinha mesmo outra alternativa. As eleições estão aí e o assunto em questão é por demais explosivo.
Erenice Guerra ganhou vida em razão do oxigênio que Dilma lhe forneceu durante sete anos de governo. Erenice trabalhou com a candidata quando esta comandava a pasta de Minas e Energia e na Casa Civil transformou-se na assessora-mor da petista, assumindo o cargo de secretária-executiva. É possível que em todos esses anos de intenso trabalho conjunto Dilma não tenha percebido o que se passava ao seu redor. É possível que Dilma seja uma péssima leitora de caráter. Mas, em algum momento, ela vai ter que enfrentar publicamente esse enorme contencioso passado.
Obedecendo à consagrada estratégia política estabelecida pelo PT, Dilma não só tentou se distanciar do caso como buscou desqualificar os fatos apresentados por VEJA. “É um factoide”, afirmou a candidata, dois dias antes de Erenice ser demitida pelo presidente Lula. (O governo divulgou que a ministra pediu demissão, o que é parolagem.)
A chefe da numerosa família Guerra caiu na manhã da última quinta-feira, vítima dos vícios da sua turma. Além dos fatos apontados por VEJA, veio a público o atávico hábito da ex-ministra em empregar parentes no governo, que, desde já, dá um novo significado ao programa Bolsa Família. Também se descobriram contratos feitos sem licitação favorecendo parentes da ministra.
Em um dos episódios, o filhote de Erenice cobrou propina até de um corredor de Motocross, que descolara um patrocínio de 200 000 reais com a Eletrobrás, estatal sob a influência de Erenice. Taxa de sucesso paga: 40 000 reais. “Israel chamava a Dilma de tia”, contou o motoqueiro Luís Corsini, o desportista que pagou a taxa de sucesso.
Antes de capitular aos irretorquíveis fatos apresentados por VEJA, o governo fez de tudo para desqualificar o empresário Fábio Baracat, uma das fontes dos jornalistas na revelação do esquema de arrecadação de propina na Casa Civil. Baracat, um empresário do setor aéreo, narrara, em conversas gravadas, as minúcias de suas tratativas com a família Guerra, que tinham por objetivo facilitar a obtenção de contratos da empresa MTA nos Correios.
No sábado, depois de, como disse, sofrer “fortes pressões”, Baracat divulgou uma nota confusa, na qual “rechaçava oficialmente informações" da reportagem, mas, em seguida, confirmava os fatos relatados. Com medo de retaliações por parte do governo, o empresário refugiou-se no interior de São Paulo. Ele aceitou voltar à capital paulista na última quinta-feira, para mais uma entrevista. Disse ele na semana passada: “Temo pela minha vida. Vou passar um tempo fora do país”. O empresário aceitou ser fotografado e corroborou, diante de um gravador, as informações antes prestadas à revista.
Baracat não quis explicar de onde partiram as pressões que sofreu, mas, em uma hora e meia de entrevista gravada, ratificou integralmente o conteúdo da reportagem. O empresário confirmou que, levado por Israel e Vinícius, encontrou-se várias vezes com Erenice Guerra, quando ela era secretária-executiva e, por fim, quando a petista virou ministra.
As primeiras conversas, narra Baracat, serviram para consolidar a convicção de que Israel não vendia falsamente a influência da mãe. Na última conversa que eles tiveram, em abril deste ano, o tom mudou. Israel cobrava dinheiro do empresário por um problema resolvido para ele na Infraero.
Diz Baracat: “Ele dizia que havia pagado na Infraero para resolver”. Na reunião, disse Erenice, de acordo com o relato do empresário: “’Olha, você sabe que a gente está aqui na política, e a gente tem que cumprir compromissos’. (...) Ficou subentendido (que se tratava da propina). (Ela) foi sempre genérica (nesse sentido). (...) Ela disse: ‘A gente é político, não pode deixar de ter alguns parceiros’”. Baracat diz que não sabe o que a família Guerra fez com o dinheiro.
O misterioso caso da comissão do Tamiflu também merece atenção das investigações iniciadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. O Ministério da Saúde, que já gastou 400 milhões de reais com a aquisição do remédio desde o ano passado, afirma que não houve qualquer ingerência da Casa Civil – e que a quantidade de Tamiflu comprada foi definida somente por critérios técnicos.
A seguir, mais uma história edificante
Em outros episódios, a participação da Casa Civil aparece de forma mais clara. VEJA apurou mais um caso no qual o poder da Casa Civil dentro do governo misturou-se aos interesses comerciais da ex-ministra, resultando numa negociata de 100 milhões de reais. Desta vez, o lobista central da traficância não é o filho, mas o atual marido de Erenice Guerra, o engenheiro elétrico José Roberto Camargo Campos.
Com a ministra Dilma Rousseff na Casa Civil e a esposa Erenice Guerra como seu braço direito, Camargo convenceu dois amigos donos de uma minúscula empresa de comunicações a disputar o milionário mercado da telefonia móvel. Negócio arriscado, que exige muito capital e experiência num ramo cobiçado e disputado por multinacionais. Isso não era problema para Camargo e seus sócios. Eles não tinham dinheiro nem experiência, mas sim o que efetivamente importa em negócios com o governo: os contatos certos – e poderosos.
Em 2005, a empresa Unicel, tendo Camargo como diretor comercial, conseguiu uma concessão da Anatel para operar telefonia celular em São Paulo. Por decisão pessoal do então presidente da agência, Elifas Gurgel, a empresa do marido ganhou o direto de entrar no mercado. De tão exótica, a decisão foi contestada pelos setores técnicos da Anatel, que alegaram que a empresa sequer havia apresentado garantias sobre sua capacidade técnica e financeira para tocar o negócio.
O recurso levou dois anos para ser julgado pela Anatel. Nesse período, Erenice e seu marido conversaram pessoalmente com o presidente da agência, conselheiros e técnicos, defendendo a legalidade da operação. “A Erenice fazia pressão para que os técnicos revissem seus parecereres e os conselheiros mudassem seu voto”, conta um dos membros do conselho, também alvo da pressão da ex-ministra.
A pressão deu certo. O técnico que questionou a legalidade da concessão, Jarbas Valente, voltou atrás e mudou seu parecer, admitindo os “argumentos” da Casa Civil. Logo depois, Valente foi promovido a conselheiro da Anatel. Um segundo conselheiro, Pedro Jaime Ziller, também referendou a concessão a Unicel. Não se entende bem a relação entre uma coisa e a outra, mas dois assessores de Ziller, logo depois, trocaram a Anatel por cargos bem remunerados na Unicel.
Talvez tenham sido seduzidos pelos altos salários pagos pela empresa, algo em torno de 30 000 reais – muito, mas muito mais do que se paga no serviço público. O presidente Elifas foi pressionado diretamente pelo Ministro das Comunicações, mas nem precisava: ele foi colega de Exército de um dos sócios da Unicel. Tudo certo? Não. Havia ainda um problema a ser sanado.
A legislação obriga as concessionárias a pagar 10% do valor do contrato como entrada para sacramentar o negócio. A concessão foi fixada em 93 milhões de reais. A empresa, portanto, deveria pagar 9,3 milhões de reais. A Unicel não tinha dinheiro.
Novamente com Erenice à frente, a Unicel conseguiu uma façanha. O conselho da Anatel acatou o pedido para que o sinal fosse reduzido para 1% do valor do negócio, ou seja, pouco mais de 900 000 reais. A insólita decisão foi contestada pelo Ministério Público e, há duas semanas, considerada ilegal pela Justiça. Com a ajuda estatal, a empresa anunciou o início da operação em outubro de 2008, com o nome fantasia de AEIOU, prometendo tarifas mais baixas para atrair o público jovem, com o compromisso de chegar a um milhão de clientes em dois anos. Como foi previsto pelos técnicos, nada disso aconteceu.
Hoje, a empresa tem 20 000 assinantes, sua única loja foi fechada por falta de pagamento de aluguel e responde a mais de 30 processos por dívidas, que ultrapassam 20 milhões de reais. Mau negócio? Apesar da aparência, não. A grande tacada ainda está por vir.
O alvo do marido de Erenice é o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) – uma invenção que vai consumir 14 bilhões de reais para universalizar o acesso a internet no Brasil. O grupo trabalha para “convencer” o governo a considerar que a concessão da Unicel é de utilidade pública para o projeto. Com isso, espera receber uma indenização. Valor calculado por técnicos do setor: se tudo der certo, a empresa sairá com 100 milhões de reais no bolso, limpinhos.
Dinheiro dos brasileiros honestos que trabalham e pagam impostos.
A participação da Casa Civil no episódio ultrapassa a intolerável fronteira das facilidades e da pressão política. Aqui, aparecem diretamente as promíscuas relações entre os negócios da família Guerra e os funcionários que, dentro da Presidência da República, deveriam zelar pelo bem público.
A Unicel contou, em especial, com os favores de Gabriel Boavista Lainder, assessor da Presidência da República e dirigente do Comitê Gestor dos Programas de Inclusão Digital, que comanda o PNBL. Antes de ocupar o cargo, Gabriel trabalhou por oito anos com os donos da Unicel. Mas isso é, como de costume, apenas uma coincidência – como também é coincidência o fato de ele ter sido indicado ao cargo pelo marido de Erenice.
“O marido da Erenice é um cara que admirava meu trabalho. Ela me disse que precisava de alguém para coordenar o PNBL”, diz Laender. E completa: “O PNBL não contempla o uso da faixa da Unicel, mas ela pode operar a banda larga do governo se fizer adaptações técnicas” É um escárnio.
Camargo indicou o homem que pode resolver os problemas de sua empresa. Procurado, o marido de Erenice não quis se pronunciar. Na Junta Comercial, o nome de Camargo aparece como sócio de uma empresa de mineração, que funciona em modesto escritório em Brasília. Um probleminha que pode chamar a atenção dos investigadores: a Unicel está registrada no mesmo endereço, que também era usado para receber empresários interessados em negócios com o governo. Certamente mais uma coincidência.
Dinheiro vivo de mão em mão dentro da Casa Civil da Dilma.
Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra. Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta. O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 000 reais em dinheiro vivo - um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula. Vinícius, que flanava na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, começara a dar expediente na Casa Civil semanas antes, apadrinhado por Erenice Guerra e o filho-lobista dela, Israel Guerra, de quem logo virou compadre. Excitado com o pacotaço de propina, o neófito reagiu em voz alta : “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. Um colega tratou de tranqüilizá-lo: “É o ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”. Leia mais aqui.
Veja, explosiva, sai às 9 da manhã no Reinaldo Azevedo.
A capa da Veja desta semana é o polvo envolvendo o Palácio do Planalto e um balão onde diz: " Caraca, que dinheirama é esta?", sugerindo gravações de propina distribuída ao lado do gabinete de Lula e dentro da sala comandada por Dilma. Será possível? Leiam no Reinaldo Azevedo.
A imprensa brasileira deveria publicar e divulgar um editorial único, desmentindo Lula, Dilma e o PT.
Ontem, Lula, Dilma, José Dirceu e o PT inteiro atacaram a imprensa, acusando-a de plantar calúnias. Um trabalho de desqualificação da imprensa que, a curto, curtíssimo prazo, se vingar, vai criar força para acabar com a liberdade de informação no Brasil. Os meios de comunicação deveriam publicar e divulgar um editorial único, colocando, de uma vez por todas, a verdade no seu lugar. A imprensa é engraçada. Divulga as mentiras de Lula sobre ela e não defende o seu espaço na democracia. É hora de acordar. E de mostrar ao país que quem está mentindo é Lula, Dilma e o PT. Ainda há tempo.
Da Folha de São Paulo:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar ontem a imprensa ao dizer que "alguns jornais" não são neutros e insinuar que eles apoiam a candidatura presidencial de José Serra (PSDB). Disse que os jornais "inventam coisas" contra ele. As críticas foram feitas um dia depois de Lula demitir a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, ex-braço direito da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, depois de duas acusações de lobby envolvendo seus familiares em órgãos do governo. Por 29 minutos Lula ironizou a oposição e criticou os jornais. Falou na condição de "cabo eleitoral" de Dilma, conforme ele próprio disse, durante comício da petista em Juiz de Fora (MG). Dilma também atacou, afirmando que a oposição se utiliza de "calúnias e falsidades" contra o governo. Para Lula, os jornais deveriam ter assumir "as cores do partido que defendem". "Essa gente não nos perdoa." Para o presidente, "quem faz oposição neste país -eles ficam doidos-, é determinado tipo de imprensa". Lula chegou a falar que a imprensa inventa fatos contra ele. "Ah! Como inventam coisa contra o Lula", disse, acrescentando que não teria 80% de aprovação, mas "zero", se dependesse da mídia. Os ataques começaram quando o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), candidato ao Senado, afirmou que a oposição percebe que vai perder a disputa e parte para "outros métodos", usando a imprensa como meio de propagação. "Se não conseguem pelo voto, tentam pela calúnia e pela baixaria que plantam nos jornais", afirmou. Pimentel foi afastado do comando da campanha de Dilma depois de comandar um "grupo de inteligência" na pré-campanha, que recebeu papeis com dados sobre aliados e familiares de Serra. Logo depois, sempre sem citar o escândalo na Casa Civil, foi a vez de Dilma atacar. Mais cedo, durante entrevista coletiva, ela se negou a falar sobre as acusações, que se referem ao período em que ela ainda era a ministra. "Diante da eleição, aqueles que temem perder no voto utilizam de mecanismos, utilizam de calúnias e falsidades. Por isso é importante que vocês estejam atentos e percebam que isso acontece sempre 15 dias antes das eleições", disse, no palanque. Foi uma referência velada ao caso dos "aloprados", em que petistas foram flagrados com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo para comprar um dossiê contra Serra.
Casa Civil abrigava uma gang a serviço de Erenice, que estava a serviço de Dilma.
Da Folha de São Paulo:
O filho de Erenice Guerra, que perdeu o cargo após acusações de tráfico de influência, levou amigos para trabalhar na Casa Civil quando o ministério era comandado por Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência. Israel Guerra e dois amigos são apontados por empresários como o "grupo do lobby" que usava uma empresa privada para intermediar reuniões, viabilizar projetos e liberar recursos no governo. Israel, Stevan Kanezevic, Vinícius Castro e Marcelo Moreto trabalharam juntos na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Em seguida, os três amigos do filho de Erenice foram nomeados para ocupar cargos na Casa Civil sob Dilma -quando Erenice, seu braço direito e depois sucessora, era secretária-executiva da pasta. Vinícius foi nomeado assessor de Erenice Guerra. Stevan é cedido para o Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), subordinado à Casa Civil. Um ano antes, Moreto, que não foi citado por envolvidos no escândalo até aqui, já havia trocado a agência pelo cargo de assessor técnico do Sipam. Tão logo Vinícius e Stevan saíram da Anac, foi aberta em Brasília a Capital Consultoria, que começou as atividades em 6 de julho de 2009. Trata-se da firma que tem Vinícius e Israel como sócios ocultos e que foi usada para ajudar uma empresa do setor aéreo a conseguir autorização da Anac e fechar contrato com os Correios, primeiro negócio a lançar suspeitas de tráfico de influência. Stevan é citado pelos consultores Fábio Baracat e Rubnei Quícoli como um dos mais atuantes nas promessas de abrir portas. Estava sempre presente nas reuniões com Vinícius e Israel. Ontem, Stevan pediu demissão do cargo no Sipam e voltou à Anac. Ele é o terceiro que cai depois das acusações de que o lobby da Capital levou empresários para audiência dentro da Casa Civil, como a Folha revelou. Tio de Vinícius, o ex-diretor dos Correios Marco Antonio de Oliveira afirmou à Folha que o filho de Erenice fazia nomeações na Casa Civil. Ele confirma que o próprio sobrinho foi um dos indicados de Israel. "Eles se conheceram na Anac e, na saída da Anac, o Vinícius recebeu o convite do Israel para trabalhar na Casa Civil", disse. Oliveira reclama que a irmã foi usada como laranja. No papel, uma das sócias da Capital é a mãe de Vinícius, Sônia Elizabeth Oliveira Castro, que sobrevive vendendo queijo no interior de Minas. "[Criaram] uma empresa para fazer consultoria geral. Ele não poderia aparecer porque era do governo. Por isso botou minha irmã. Acho uma coisa deplorável", disse. Segundo relato de Vinícius ao tio, a Capital resolveu um problema da empresa MTA (Master Top Airlines) na Anac, que renovou o contrato com a companhia cargueira, ampliando o prazo de três para dez anos mesmo com parecer técnico contrário da agência . "Era esse o perfil deles, vinham da Anac."
MPE quer saber quando a Carta Capital recebe do governo. Deveria investigar os ratos Namorim e Amossif
Da Folha de São Paulo:
O Ministério Público Eleitoral encaminhou ontem à revista "Carta Capital" um pedido de informações sobre os valores da verba publicitária que a publicação recebeu do governo federal nos últimos dois anos. Por decisão de Sandra Cureau, vice-procuradora-geral eleitoral, foi aberto processo administrativo para apurar acusação recebida pela Procuradoria no Distrito Federal. O órgão diz que o pedido de informações é uma "praxe". Na denúncia, um homem, cujo nome não foi revelado pelo Ministério Público, diz que a revista apoia Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, e pede a investigação da verba publicitária que o governo Lula repassa para a publicação.
O MPE deveria investigar os blogs do esgoto, patrocinados por estatais, cujos donos têm empréstimos perdoados do BNDES. Aí saberia como se criam as calúnias e os dossiês contra candidatos. A começar pelos dois ratos, Namorim e Amossif.
O MPE deveria investigar os blogs do esgoto, patrocinados por estatais, cujos donos têm empréstimos perdoados do BNDES. Aí saberia como se criam as calúnias e os dossiês contra candidatos. A começar pelos dois ratos, Namorim e Amossif.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O fim chegou dois anos antes.
Antecipando em dois anos o calendário, César Maia conhece o fim do mundo em 2010. Já amarga o terceiro lugar nas pesquisas na eleição para senador no Rio de Janeiro. Não tem mais volta. O grande marqueteiro político de si mesmo concebeu uma das piores campanhas eleitorais que se tem notícia na história deste país. Escondeu partido. Escondeu presidente. Escondeu governador. Acreditou no bloco do eu sozinho. 2012 é logo ali. Prefeito de novo? Sou mais outro Índio.
Lula é um zero à esquerda onde o trabalho dá cartão vermelho para Bolsa Família.
Lula veio à Santa Catarina chorar, uivar, babar por Ideli Salvatti, destilando o seu ódio contra políticos catarinenses. Sabem o que aconteceu? O candidato do DEM, Raimundo Colombo, caminha para vencer a eleição no primeiro turno. No Ibope. No Datafolha. No Mapa. Na Brasmarket. Em todas as pesquisas. Tem o dobro dos votos da senadora do Mensalão. No horário eleitoral, Ideli abraçou, beijou, botou a cabecinha no ombro do Lula. Sabem como os catarinenses responderam a tanta apelação? Com uma banana para Lula e Ideli. A petista amarga um terceiro lugar, de onde não se mexe desde que a campanha começou. O senador do PT também se arrasta. Lula e a sua turma não têm vez onde o povo trabalha, estuda, produz, tudo com o suor do próprio rosto. Santa Catarina é a prova disso. Santa Catarina costuma "extirpar" demagogos imbecis e estúpidos.
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Dos beneficiados da Bolsa Família, pouco mais de 1% estão em Santa Catarina. Aqui estômago não vota. Aqui quem vota é a cabeça e o coração.
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Dos beneficiados da Bolsa Família, pouco mais de 1% estão em Santa Catarina. Aqui estômago não vota. Aqui quem vota é a cabeça e o coração.
O bobalhão não tem limites.
Lula disse em evento oficial em Juiz de Fora (MG) que poderá voltar a estudar depois de deixar a Presidência da República. Mas aventou também a possibilidade de dar aulas sobre como governar o país. Em discurso durante inaugurações no campus da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), Lula disse: "Adoraria ter um curso superior. Quem sabe agora, depois de [ser] presidente, eu possa 'tirar' um curso ou dar aula para ensinar algumas pessoas [sobre] como governar este país".
Vocês lembram da repercussão do filme de Marta contra Kassab?
Portanto, não postem aqui o link de um blog que envereda pelo mesmo caminho em relação à candidata petista Dilma Rousseff. Qualquer comentário remetendo ao tema ou citando o blog em questão será deletado. A não ser que exista um processo instaurado, com número e outros dados, que permita conhecer o teor da demanda judicial da que se diz vítima. O blog aceita piadas, quando de bom gosto, mas não vai transformar preferência sexual em escândalo. É tiro no pé. Assista aqui ao comercial da Marta contra Kassab.
O segundo desmentido de Aécio.
O primeiro desmentido de Aécio Neves(PSDB) é de que teria declarado que uma vitória em Minas fortalece o seu projeto para 2014. O segundo desmentido é a que deixará o PSDB para formar um novo partido de oposição light ao petismo, conforme matéria de capa publicada pela revista Carta Capital. Diga o que disser, em se tratando de Aécio Neves, sempre fica o dito pelo não dito. Ou não era das montanhas de Minas que viria um grande apoio para José Serra? Parodiando o ditado, as montanhas de Minas pariram um rato.
Erenice 6% escondeu o patrimônio da Comissão de Ética. Foi demitida ou fugiu para não ter que mostrar?
A ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra deixou de apresentar à Comissão de Ética Pública da Presidência documentos com informações sobre a sua evolução patrimonial e relação de parentes ocupando cargos públicos. Chamado de DCI (Declaração Confidencial de Informação), o documento deve ser apresentado por todas as autoridades que assumem cargo na alta administração pública federal. Por não ter obedecido à exigência, a Comissão entendeu, em reunião extraordinária nesta sexta-feira, que Erenice cometeu falta ética e aprovou, em votação unânime, a aplicação de censura à ex-ministra. A Comissão também aprovou na reunião a abertura de um processo para apurar as suspeitas de envolvimento de Erenice em casos de tráfico de influência dentro da Casa Civil que têm como pivô o seu filho Israel Guerra. A investigação será sigilosa. Leia mais aqui.
..................................................................................Uma coisa pode estar relacionada com a outra. Envolvida no escândalo da Casa Civil, Erenice Guerra pode ter ficado com medo de informar o seu patrimônio à Comissão de Ética e resolveu pedir demissão. Não teria caído por causa das acusações, mas teria saído para não chamar atenção sobre alguma coisa no seu patrimônio. O que haverá no patrimônio da Dilma da Dilma que ela quer esconder?
Vocês lembram que Dilma queria a Erenice no TCU? Faz sentido.
Já pensou uma presidente da República com o seu "braço direito" dentro do Tribunal de Contas da União? Todos sabemos o papel do TCU. Imaginem Erenice Guerra aprovando projetos do PAC, da Copa do Mundo e das Olimpíadas? Dilma Rousseff lutou com "unhas e dentes" para indicar a amiga para o TCU. Só desistiu porque trocou, à época, a indicação para o tribunal pela garantia de que Erenice seria a sua sucessora. Depois de toda a lama que escorre da Casa Civil, a insistência para colocar a principal assessora no TCU começa a fazer muito sentido.
Por que Lula não nomeia formalmente o ministro de fato da Casa Civil, o seu compadre Roberto Teixeira?
Por cima de todos os escândalos que cercaram a Casa Civil, sempre pairou a figura de Roberto Teixeira, o compadre de Lula. Isto ficou provado quando, em 2008, Denise Abreu, ex-diretora da ANAC, atirou uma mala de documentos para os senadores, na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, provando o mar de lama que correu na venda da Varig. A covardia da Oposição, à època, permitiu que fosse criado um monstro que gerou uma candidata à presidência e um escândalo de corrupção de proporções inimagináveis. Lula deveria convidar o seu compadre para substituir Erenice Guerra. O ninho de ratos estaria completo.
Não era candidata, mas era ministra.
O discurso de Dilma muda de acordo com a situação. Sobre o Dossiê contra Serra, a sua alegação é que não é responsável, pois o material foi montado em 2009, quando ela ainda não era candidata. Ora, todo o Brasil sabia, há dois anos, que ela concorreria à presidência. No entanto, ela usa o fato de são ser "oficialmente" candidata como uma prova do seu não envolvimento. E agora, quando ficou provado que a Casa Civil foi avisada em fevereiro das tentativas de extorsão feitas pela Gang da Erenice, seu braço direito e sua melhor amiga, bancada por ela para ser a sucessora? Vai dizer o quê? Dilma ficou na Casa Civil até 31 de março de 2010. Era a ministra. Dentro da mesma linha de raciocínio, se não teve nada a ver com o Dossiê contra Serra por não ser "oficialmente" a candidata, ela é a responsável pela corrupção dentro da Casa Civil, porque era "oficialmente" a ministra.
Dilma sabia.
Segundo a Folha de São Paulo, Dilma Rousseff, chamou de "compra e venda de terreno na Lua" a negociação de um empréstimo bilionário do BNDES a um projeto de energia solar intermediado pelo filho de Erenice Guerra, que foi sua principal assessora e depois a sucedeu como ministra da Casa Civil -cargo que havia ocupado entre 2005 e abril deste ano. Dilma refutou envolvimento com o episódio, apesar de ser a titular da Casa Civil à época da negociação, tendo Erenice como secretária-executiva. "Onde está a prova de que eu esteja envolvida nesse caso? É importante no Brasil que a gente não perca a referência das conquistas da civilização. Tem de provar que você fez. Não você provar que não fez. Como eu estou envolvida nesse caso? Aliás, tomei conhecimento dele pelos jornais", declarou Dilma. Por outro lado, o consultor que fez a denúncia apresentou cópias de emails onde denunciava para a Casa Civil a existência de um esquema de extorsão de dinheiro dentro do órgão. A Folha obteve cópias de dois e-mails, que ele alega ter enviado em 1º de fevereiro, endereçados a assessores e secretárias de Erenice. Na época, a ministra da Casa Civil era Dilma Rousseff (PT). Nos textos, o consultor reclamava da cobrança de dinheiro para que a empresa de energia EDRB recebesse um empréstimo no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e pedia que Erenice e Dilma fossem avisadas. Num e-mail, o consultor ameaçou revelar o pedido de dinheiro feito pela empresa Capital. Em outro e-mail, Quícoli escreve não ter "vínculos com bandidos". Ele encerra, em tom de ameaça, com o pedido de que a mensagem fosse encaminhada ao comando da Casa Civil. "Se vocês não fizerem chegar [a mensagem], eu faço chegar", escreveu.
................................................................................Dilma Rousseff, pelo que declarou ontem, demonstrou profundo conhecimento sobre o projeto que estava sendo apresentado pela empresa vítima de extorsão pela Gang da Casa Civil. Se conhecia tão bem o projeto, estava ciente de que ele estava tramitando. Por que o projeto tramitou dentro da Casa Civil se a ministra considerava que ele era um "terreno na lua"? Por que a sua assessora direta, Erenice Guerra, recebeu os empresários dentro da Casa Civil? O que a Casa Civil tem a ver com isso? A reunião não deveria ter sido feita no BNDES? Ou no Ministério das Minas e Energia?Por qual motivo a Casa Civil deveria se envolver tão diretamente no projeto? Simples: para dar sustentação a um esquema de extorsão montado ali mesmo, na Casa Civil. Dilma sabia, é óbvio.
Aécio afirma que não falou em 2014. José Dirceu também desmente sua fala contra a liberdade de imprensa.
Dois personagens da política nacional "desdisseram" o que haviam afirmado. Aécio Neves(PSDB) havia afirmado que vencer em Minas era importante para o projeto da oposição para 2014. Leia-se o seu projeto. José Dirceu disse que a imprensa deveria ser mais controlada, aquele velho papo do monopólio dos grandes grupos econômicos. José Dirceu é voz da "camarada em armas" Dilma Rousseff. Ambos desmentiram o que disseram. Por tudo o que fizeram e estão fazendo na política, desmentido é confirmação.
A Dilma da Dilma era o braço direito armado da corrupção na Casa Civil.
Foi Erenice Guerra quem montou o dossiê sujo contra a ex-primeira dama Ruth Cardoso, para tentar conter o escândalo dos Cartões Corporativos, o que Dilma Rousseff chamou de "banco de dados". Foi Erenice Guerra quem marcou a famosa entrevista de Dilma Rousseff com Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal, para exigir que a funcionária "agilizasse" uma investigação contra Fernando Sarney, acusado de evasão de divisas. Foi Erenice Guerra quem comandou a venda da VarigLog, mancomunada com o compadre de Lula, Roberto Teixeira, causando imensos prejuízos aos ex-funcionários da empresa que Dilma fez de tudo para fechar. Estas três atividades ilustram muito bem o papel da Dilma da Dilma. Ficou provado que o dossiê contra Dona Ruth Cardoso era uma montagem grosseira, com a demissão de vários funcionários. Ficou provado que Fernando Sarney era um criminoso, com a descoberta de uma conta de U$ 13 milhões no exterior. E, vejam bem, por trá s do atual escândalo está uma empresa área, que surgiu com o apoio do compadre do Lula, que atende aos Correios, com aviões que eram da VarigLog. A Dilma da Dilma estava lá para isso mesmo. Para enriquecer a Turma da Dilma e do Lula. Até que resolveu enriquecer também a sua família.
Lula quer blindar Dilma. Será que vai guardá-la dentro daquele cofre onde estão os seus dados do tempo de terrorista, que a Justiça não deixa abrir?
Todos os jornais são unânimes. Lula demitiu Dilma para "blindar" Dilma. Se precisa "blindar" Dilma é porque ela tem culpa no cartório e as denúncias já chegaram na candidata que ninguém conhece de verdade. O seu passado continua trancado dentro do cofre do Presidente do Superior Tribunal Militar. Será que o Lula vai pedir para trancar a Dilma, madrinha do filho da Erenice e grande amiga da sucessora que ajudava o filho a extorquir empresários, dentro do mesmo cofre?
Leia abaixo o editorial da Folha de São Paulo:
A grande família
Demissão de Erenice Guerra alimenta suspeitas sobre a montagem de um balcão de negócios no ex-ministério da candidata Dilma Rousseff.
A ministra Erenice Guerra, braço direito e substituta da petista Dilma Rousseff na Casa Civil, não resistiu a mais uma reportagem com relatos acerca de atividades de tráfico de influência e cobrança de comissões supostamente praticadas por membros de sua família. A Folha trouxe, na edição de ontem, a explosiva história de uma empresa que afirmou ter sido orientada a procurar a Capital Consultoria, de um filho da então secretária-executiva do ministério, para liberar um empréstimo bilionário do BNDES.
Segundo os autores da denúncia, em conversas gravadas pela reportagem, houve troca de e-mails com um assessor da Casa Civil e realizou-se uma reunião entre representantes da empresa que pleiteava o empréstimo e Erenice.
A firma do filho da ministra demissionária teria cobrado pelo serviço seis pagamentos mensais de R$ 40 mil, além de uma "taxa de êxito" -um eufemismo para propina- de 5% sobre o valor do financiamento. Segundo as declarações, o pacote também incluiria uma doação de R$ 5 milhões, supostamente para a campanha de Dilma Rousseff.
Em síntese, de acordo com os depoimentos colhidos pelo jornal, um balcão de negócios, montado no coração do Poder Executivo, tentou vender facilidades para uma empresa interessada em recursos bilionários do banco de fomento do governo federal -que utiliza dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador na concessão de crédito a juros subsidiados.
Para completar o descalabro, segundo um dos entrevistados, o ministério servia de guichê partidário com a finalidade de arrecadar fundos para a candidatura oficial. Em que pesem as negativas, o pedido de demissão da ministra reforçou conjeturas acerca de sua participação nas tratativas.
O caso, que se reúne aos malfeitos reportados pela revista "Veja" nesta semana, também lança dúvidas sobre o comportamento de Dilma Rousseff e da própria Presidência da República. Todas as reportagens dão conta de que havia uma quadrilha atuando sob o nariz do chefe do Executivo, em seu mais próximo e estratégico gabinete -a mesma Casa Civil em que se montou, no primeiro mandato, o esquema do mensalão.
O episódio não deixa dúvida quanto à crescente promiscuidade, no atual governo, entre interesses públicos e privados. Oito anos de incrustação petista na máquina pública foram suficientes para promover, além do conhecido loteamento fisiológico, a partidarização sem precedentes do Estado brasileiro.
O pequeno clã dos Guerra talvez possa ser visto como uma espécie de ilustração em miniatura de um conglomerado maior, a grande família dos sócios do lulismo, formada por uma legião de militantes, aproveitadores e bajuladores que parece ver no exercício das funções públicas uma chance imperdível para enriquecer e perpetuar privilégios.
Infelizmente, essa espantosa instrumentalização das estruturas governamentais, em tudo compatível com o perfil estatizante, corporativo e arrivista do PT, tem encontrado na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o seu principal fiador.
Inebriado com seus elevados índices de popularidade, o mandatário é o primeiro a estimular a impunidade e a minimizar os "erros" de seus companheiros.
Da compra do apoio de partidos e parlamentares à violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, passando pela devassa no Imposto de Renda de milhares de cidadãos, entre os quais adversários políticos do PT, tudo é atribuído a conspirações da imprensa ou de "inimigos do povo"; nada é investigado a fundo.
Apurar, ao que tudo indica, não é mesmo um verbo que se conjugue no Palácio do Planalto. Ali, prefere-se iludir, tergiversar, apaniguar. Por isso mesmo é de esperar que ainda existam instituições públicas com suficiente independência e iniciativa para proceder a uma averiguação rigorosa desses episódios.
Nesta hora em que as pesquisas de intenção de voto apontam para uma vitória acachapante da candidata oficial, mais do que nunca é preciso estabelecer limites e encontrar um paradeiro à ação de um grupo político que se mostra disposto a afrontar garantias democráticas e princípios republicanos de forma recorrente.
O Brasil não pode ser confundido com uma espécie de "hacienda" da grande família petista.
Se não há evidências sobre a participação de Dilma Rousseff em desvios como os agora apontados, é inevitável questionar a escolha de Erenice Guerra para exercer as funções de secretária-executiva e, posteriormente, chefe da Casa Civil da Presidência.
Ninguém mais do que Dilma sabia com quem estava tratando. Faltou-lhe argúcia para perceber o que se passava? Desconfiou, mas não tomou providências? Tudo não passa de um grande engano? É preciso que se responda.
Há tempos o país vem assistindo à modelagem da figura pública da postulante petista pelo presidente da República e seus propagandistas. Já é hora de o marketing dar lugar ao debate e ao questionamento. Os brasileiros precisam de informações que permitam aferir com mais acuidade as virtudes e defeitos daquela a quem Lula, em mais uma de suas sintomáticas e infelizes metáforas, empenha-se em entronizar como a "mãe" do país.
Segundo os autores da denúncia, em conversas gravadas pela reportagem, houve troca de e-mails com um assessor da Casa Civil e realizou-se uma reunião entre representantes da empresa que pleiteava o empréstimo e Erenice.
A firma do filho da ministra demissionária teria cobrado pelo serviço seis pagamentos mensais de R$ 40 mil, além de uma "taxa de êxito" -um eufemismo para propina- de 5% sobre o valor do financiamento. Segundo as declarações, o pacote também incluiria uma doação de R$ 5 milhões, supostamente para a campanha de Dilma Rousseff.
Em síntese, de acordo com os depoimentos colhidos pelo jornal, um balcão de negócios, montado no coração do Poder Executivo, tentou vender facilidades para uma empresa interessada em recursos bilionários do banco de fomento do governo federal -que utiliza dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador na concessão de crédito a juros subsidiados.
Para completar o descalabro, segundo um dos entrevistados, o ministério servia de guichê partidário com a finalidade de arrecadar fundos para a candidatura oficial. Em que pesem as negativas, o pedido de demissão da ministra reforçou conjeturas acerca de sua participação nas tratativas.
O caso, que se reúne aos malfeitos reportados pela revista "Veja" nesta semana, também lança dúvidas sobre o comportamento de Dilma Rousseff e da própria Presidência da República. Todas as reportagens dão conta de que havia uma quadrilha atuando sob o nariz do chefe do Executivo, em seu mais próximo e estratégico gabinete -a mesma Casa Civil em que se montou, no primeiro mandato, o esquema do mensalão.
O episódio não deixa dúvida quanto à crescente promiscuidade, no atual governo, entre interesses públicos e privados. Oito anos de incrustação petista na máquina pública foram suficientes para promover, além do conhecido loteamento fisiológico, a partidarização sem precedentes do Estado brasileiro.
O pequeno clã dos Guerra talvez possa ser visto como uma espécie de ilustração em miniatura de um conglomerado maior, a grande família dos sócios do lulismo, formada por uma legião de militantes, aproveitadores e bajuladores que parece ver no exercício das funções públicas uma chance imperdível para enriquecer e perpetuar privilégios.
Infelizmente, essa espantosa instrumentalização das estruturas governamentais, em tudo compatível com o perfil estatizante, corporativo e arrivista do PT, tem encontrado na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o seu principal fiador.
Inebriado com seus elevados índices de popularidade, o mandatário é o primeiro a estimular a impunidade e a minimizar os "erros" de seus companheiros.
Da compra do apoio de partidos e parlamentares à violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, passando pela devassa no Imposto de Renda de milhares de cidadãos, entre os quais adversários políticos do PT, tudo é atribuído a conspirações da imprensa ou de "inimigos do povo"; nada é investigado a fundo.
Apurar, ao que tudo indica, não é mesmo um verbo que se conjugue no Palácio do Planalto. Ali, prefere-se iludir, tergiversar, apaniguar. Por isso mesmo é de esperar que ainda existam instituições públicas com suficiente independência e iniciativa para proceder a uma averiguação rigorosa desses episódios.
Nesta hora em que as pesquisas de intenção de voto apontam para uma vitória acachapante da candidata oficial, mais do que nunca é preciso estabelecer limites e encontrar um paradeiro à ação de um grupo político que se mostra disposto a afrontar garantias democráticas e princípios republicanos de forma recorrente.
O Brasil não pode ser confundido com uma espécie de "hacienda" da grande família petista.
Se não há evidências sobre a participação de Dilma Rousseff em desvios como os agora apontados, é inevitável questionar a escolha de Erenice Guerra para exercer as funções de secretária-executiva e, posteriormente, chefe da Casa Civil da Presidência.
Ninguém mais do que Dilma sabia com quem estava tratando. Faltou-lhe argúcia para perceber o que se passava? Desconfiou, mas não tomou providências? Tudo não passa de um grande engano? É preciso que se responda.
Há tempos o país vem assistindo à modelagem da figura pública da postulante petista pelo presidente da República e seus propagandistas. Já é hora de o marketing dar lugar ao debate e ao questionamento. Os brasileiros precisam de informações que permitam aferir com mais acuidade as virtudes e defeitos daquela a quem Lula, em mais uma de suas sintomáticas e infelizes metáforas, empenha-se em entronizar como a "mãe" do país.
Ontem, 21.522 visitas. Um novo recorde.
Obrigado pela frequência e audiência. No dia em que caiu a Dilma da Dilma, o Coturno Noturno bateu mais um recorde. Ontem, foram 21.522 visitas e 417 comentários liberados. A casa é de vocês.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
A planta baixa, muita baixa, da corrupção na Casa da Dilma. Para 40 milhões de telespectadores.
Assista a imensa e didática reportagem do Jornal Nacional.
Bater ou não bater, eis a questão.
Muita calma nessa hora. Se o programa do PSDB vier normal, sem a pancadaria esperada em função dos escândalos, é porque as coisas já estão se mexendo no eleitorado. Portanto, pode ser uma boa notícia, apesar de tudo. Há notícias que o eleitor já deu um vigoroso sinal. Hoje ainda não há informação. Quem não viu o JN, vai ver daqui a pouco, postado aqui. Arrasador contra a quadrilha.
O governo Lula acabou na lama. Não tem ninguém para botar na Casa Civil que não esteja com o rabão bem preso.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, passou a ser cogitado para substituir a demitida por suspeita de corrupção Erenice Guerra, mais conhecida como a Dilma da Dilma. Ele entrou em férias esta semana para se dedicar à campanha eleitoral no Paraná, onde a sua esposa é candidata ao senado. A coordenadora-geral do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Miriam Belchior, ex-esposa do prefeito petista assassinado, Celso Daniel, cotada para o lugar de Erenice, perdeu força nas últimas horas porque ela está com receio de assumir o cargo e virar alvo da imprensa. A verdade é que o governo do Lula não tem gente que não seja suspeita ou acusada de alguma falcatrua para botar em cargo importante.É um mar de lama.
É por isso que o Lula quer extirpar o DEM. O DEM faz oposição sem medo.
Nota Oficial:
A ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem que ser investigada pelos escândalos protagonizados por sua sucessora no cargo, Erenice Guerra. Os fatos denunciados com provas incontestáveis ocorreram quando a ex-ministra estava no comando do mais importante órgão do Poder Executivo, abaixo apenas da Presidência da República.
É muito importante frisar que não estou falando da candidata Dilma Rousseff. Erenice Guerra galgou – numa velocidade extraordinária - os mais importantes cargos da República levada pelas mãos de sua ex-chefe. Dilma é culpada ou por conivência ou por omissão.
Todo o Brasil está pasmo com o que se transformou a Casa Civil nos últimos sete anos e oito meses. O principal órgão de assessoramento do presidente da República, constitucionalmente responsável pela filtragem dos atos do chefe do Executivo, foi tomado de assalto primeiro por José Dirceu e, agora, por Erenice Guerra.
Dilma Rousseff poderia se vangloriar de ser um hiato entre os dois períodos citados, não fosse ela a responsável pela nomeação de Erenice Guerra como sua secretária-Executiva, praticamente a vice-ministra, e, depois, pela indicação da mesma Erenice para ser sua substituta. E a relação demasiadamente íntima entre as duas fez com que analistas políticos vissem Erenice Guerra com posto de relevância em um eventual governo Dilma.
As denúncias são sérias e a demissão de Erenice Guerra só comprova isso. Demissão, aliás, que não foi espontânea, e sim provocada pelo Presidente da República, que não surpreende por ser uma prática rotineira neste governo federal.
O clamor pela moralidade, pela rápida investigação dos responsáveis pelos fatos envolvendo Erenice Guerra e sua antecessora e criadora, deve ser ouvido pelo Ministério Público. A Polícia Federal, que se dizia impedida de investigar a já também ex-ministra Chefe da Casa Civil, agora pode fazê-lo.
A Procuradoria Geral da República tem representação por mim assinada pedindo a apuração de tudo. Os novos fatos de tráfico de influência praticado por familiares de Erenice Guerra, revelados nesta quinta-feira, 16/09, a demissão de Erenice e o silêncio da ex-ministra Dilma Rousseff justificam e exigem a instauração imediata de inquérito.
Essas providências urgem não por causa das eleições. Mas para defender o país, o Estado, enfim, a Nação brasileira.
Paulo Bornhausen
Líder dos Democratas na Câmara dos Deputados
É muito importante frisar que não estou falando da candidata Dilma Rousseff. Erenice Guerra galgou – numa velocidade extraordinária - os mais importantes cargos da República levada pelas mãos de sua ex-chefe. Dilma é culpada ou por conivência ou por omissão.
Todo o Brasil está pasmo com o que se transformou a Casa Civil nos últimos sete anos e oito meses. O principal órgão de assessoramento do presidente da República, constitucionalmente responsável pela filtragem dos atos do chefe do Executivo, foi tomado de assalto primeiro por José Dirceu e, agora, por Erenice Guerra.
Dilma Rousseff poderia se vangloriar de ser um hiato entre os dois períodos citados, não fosse ela a responsável pela nomeação de Erenice Guerra como sua secretária-Executiva, praticamente a vice-ministra, e, depois, pela indicação da mesma Erenice para ser sua substituta. E a relação demasiadamente íntima entre as duas fez com que analistas políticos vissem Erenice Guerra com posto de relevância em um eventual governo Dilma.
As denúncias são sérias e a demissão de Erenice Guerra só comprova isso. Demissão, aliás, que não foi espontânea, e sim provocada pelo Presidente da República, que não surpreende por ser uma prática rotineira neste governo federal.
O clamor pela moralidade, pela rápida investigação dos responsáveis pelos fatos envolvendo Erenice Guerra e sua antecessora e criadora, deve ser ouvido pelo Ministério Público. A Polícia Federal, que se dizia impedida de investigar a já também ex-ministra Chefe da Casa Civil, agora pode fazê-lo.
A Procuradoria Geral da República tem representação por mim assinada pedindo a apuração de tudo. Os novos fatos de tráfico de influência praticado por familiares de Erenice Guerra, revelados nesta quinta-feira, 16/09, a demissão de Erenice e o silêncio da ex-ministra Dilma Rousseff justificam e exigem a instauração imediata de inquérito.
Essas providências urgem não por causa das eleições. Mas para defender o país, o Estado, enfim, a Nação brasileira.
Paulo Bornhausen
Líder dos Democratas na Câmara dos Deputados
O BNDES petista é uma gracinha.
O BNDES está indignado e nega, oficialmente, que tenha desaprovado o empréstimo ao empresário que acusou Erenice Guerra e seu filho por pressão política. Que gracinha. É óbvio que a decisão de negar foi técnica. Ou o BNDES escreveria que negou porque a Erenice Guerra mandou? O problema é outro. Segundo o empresário, por intermediação do filho de Erenice Guerra e o pagamento de um rio de dinheiro, o BNDES liberaria o empréstimo e não encontraria problemas técnicos. Esta é a acusação e até agora, com a demissão da ministra, está totalmente comprovada. Esta quadrilha, com as suas desculpas esfarrapadas, acha que os brasileiros são idiotas. Leia mais aqui.
Na esteira da crise.
Na segunda-feira, a Dilma perdeu a perna direita. Na quinta-feira, a Dilma perdeu o braço direito. Quantos dias serão necessários para a Dilma perder a cabeça?
Caiu a laranja. Falta derrubar a laranjeira.
Da Folha Poder:
Depois da publicação pela Folha de um novo caso de lobby na Casa Civil, a ministra Erenice Guerra deixou o cargo nesta quinta-feira. O atual secretário-executivo da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves Lima, assume interinamente, mas a coordenadora-geral do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Miriam Belchior, deve ficar com a vaga.
Erenice acertou sua demissão do governo em reunião com o presidente Lula. A Presidência soltará um comunicado sobre a decisão. Mais cedo, ela havia recebido, fora do Palácio do Planalto, o ministro Franklin Martins (Comunicação), emissário de um recado do presidente --de que a situação da ministra havia ficado insustentável e que ela deveria pedir demissão.
Uma empresa de Campinas confirma, segundo reportagem da Folha, que um lobby opera dentro da Casa Civil e acusa o filho de Erenice Guerra, Saulo, de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Erenice também teria atuado, segundo reportagem publicada na revista "Veja", para viabilizar negócios nos Correios intermediados por uma empresa de consultoria de propriedade de seu outro filho, Israel.
Belchior é vista como uma "solução caseira", de alguém que já trabalha dentro da Casa Civil e tem perfil discreto, além de contar com a confiança do presidente Lula. Antes da saída de Dilma Rousseff do comando da pasta, Lula chegou a analisar a sua indicação, mas cedeu aos pedidos da hoje candidata do PT à Presidência por Erenice.
O presidente continua mantendo sua confiança na ministra e lhe dá o benefício da dúvida diante das acusações publicadas nos últimos dias, mas avalia que há muitos familiares dela envolvidos em caso de lobby passando pela Casa Civil, o que torna sua situação "insustentável".
Pesa ainda contra Erenice a publicação da nota atacando o candidato tucano José Serra, sem consultar nem mesmo o presidente sobre o conteúdo do documento.
O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, divulgou hoje nota pedindo o afastamento de Erenice sob o argumento de que as investigações sobre lobby não podem ocorrer com a chefe da Casa Civil no cargo.
"As investigações sobre as crescentes denúncias envolvendo a ministra Erenice Guerra, seus familiares, ex-familiares, assessores e ex-assessores, não podem ser feitas com a atual ministra no cargo, seu afastamento é essencial e deve ser imediato. Diante de tamanho escândalo, não mais se trata de ganhar ou perder votos, de assunto eleitoral, para onde o governo, a candidata e o PT tentaram desviar. O caso é de polícia", Guerra.
Segundo ele, somente o afastamento da atual ministra-chefe da Casa Civil vai permitir a investigação "séria, profunda, transparente e sem farsas, que o Brasil exige e o governo tem a obrigação de permitir". "Caso contrário, será mais um crime envolvendo o PT e suas principais lideranças a ser empurrado para debaixo do tapete."
Não é mais grave ou gravíssimo. Está comprovado. Dilma acusada de envolvimento na corrupção da Casa Civil.
A Folha de São Paulo traz mais uma denúncia contra Erenice e Dilma. Este Blog sempre chamou o escândalo de "Operação Mãos Dadas". Alguém tinha dúvida disso? Veja, nos posts abaixo.
Escândalo na Casa Civil envolve Dilma.
Da Folha de São Paulo:
CONDIÇÕES
AUDIÊNCIA
Uma empresa de Campinas confirma que um lobby opera dentro da Casa Civil da Presidência da República e acusa filho da ministra Erenice Guerra de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Interessada em instalar uma central de energia solar no Nordeste, a EDRB do Brasil Ltda. diz que o projeto estava parado desde 2002 na burocracia federal até que, no ano passado, seus donos foram orientados por um servidor da Casa Civil a procurar a Capital Consultoria. Trata-se da firma aberta em nome de um dos filhos de Erenice, Saulo, e que foi usada por outro, Israel, para ajudar uma empresado setor aéreo a fechar contrato com os Correios - primeiro negócio a lançar suspeitas de tráfico de influências no ministério. Graças à mediação da Capital, representantes da EDRB disseram em entrevistas gravadas à Folha ter sido recebidos em audiência oficial por Erenice na Casa Civil, em novembro, quando ela exercia o cargo de secretária-executiva e a titular do ministério era a hoje candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT).
CONDIÇÕES
Nos dois meses seguintes, por meio de reuniões em Brasília, com a participação de Israel Guerra, telefonemas e e-mails, a EDRB afirma ter sido informada das condições impostas pela Capital para que um financiamento de R$ 9 bilhões do BNDES, em três parcelas, enfim saísse. Os termos, segundo a empresa de Campinas, incluíam seis pagamentos mensais à Capital de R$ 40 mil e uma comissão de 5% sobre o valor do empréstimo. Segundo o relato, haveria também um repasse de R$ 5milhões para supostamente ajudar a campanha da eleição de Dilma. "Não aceitamos pagar nada. Temos investidores, empresas que querem construir, gerar alguma coisa, e não criar vagabundos dessa forma", disse à Folha Rubnei Quícoli, consultor da EDRB que fez os contatos com a Casa Civil e com a Capital. "Nos foi apresentada uma minuta de contrato. A gente contrataria uma empresa para fazer o acompanhamento jurídico do negócio todo. A empresa do filho da dona Erenice. Olhei os valores e disse: 'Bom, para fazer acompanhamento jurídico desse troço, a gente não concorda pagar isso'. E aí o negócio terminou", confirmou Aldo Wagner, sócio da EDRB. Quícoli, 49, encaminhou à Folha documentos e cópias de e-mails que, segundo ele, corroboram as afirmações. Uma das mensagens, de 15 de dezembro e endereçada aos donos da EDRB (Aldo e Marcelo Escarlassara), traz a minuta encaminhada pela Capital, que indica como seu procurador o empresário Adriano da Silva Costa. O contrato pede pagamento de R$ 240mil em seis prestações mensais e uma "comissão de sucesso" de 5% sobre o empréstimo, o equivalente a R$ 450 milhões. O acordo tem estrutura e redação similares ao que a Capital havia encaminhado para intermediar a renovação de contrato da empresa aérea MTA com os Correios.
AUDIÊNCIA
A Folha obteve também a troca de e-mails entre a Casa Civil e o consultor da EDRB, com vistas a marcar a audiência oficial com Erenice. O encontro ocorreu às 17h de 10 de novembro no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), em Brasília, que na época era a sede da Presidência. A Casa Civil confirmou a reunião ontem, mas informou que Erenice não participou. Quícoli e Aldo Wagner sustentam, no entanto, que ela participou. Dizem que ela não intercedeu em favor do filho nem pediu dinheiro. Segundo eles, ela ouviu sobre o projeto e se propôs a fazer aponte entre a EDRB e a Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco), estatal geradora de energia. "Nesse dia, ela [Erenice] propôs o quê? Viabilizar o projeto dentro da Chesf. [...] Estivemos na Chesf, em São Paulo", disse. Segundo o consultor, o encontro com Erenice foi agendado por Vinícius Castro, que era assessor da Casa Civil até segunda-feira. Foi exonerado depois que a "Veja" revelou que seria sócio oculto de Israel na Capital. Ele é filho de Sonia Castro, sócia da Capital, e sobrinho do ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antônio Oliveira. Quícoli disse que foi o tio quem o apresentou a Vinícius. Oliveira confirma. O nome de Vinícius aparece em vários e-mails da Casa Civil para a EDRB. Em um, ele informa que está tomando providências sobre o projeto. Em outro, de 6 de novembro, há menção a Dilma. A assessora da Casa Civil Glaucinete Leitão pede a Quícoli uma versão "mais sucinta" do projeto. Não há confirmação se Dilma tomou conhecimento da proposta. Em fevereiro, a Capital ajudou a EDRB a formatar consulta ao BNDES. A EDRB diz que se sentiu "chantageada" e, em março, cortou negociações com os lobistas. Em 29 de março, o BNDES rejeitou o pedido de empréstimo. Quícoli diz que logo depois foi procurado por Marco Antônio Oliveira, que teria dito que a questão no BNDES podia ser resolvida, desde que a EDRB desembolsasse R$ 5 milhões para saldar supostas despesas de campanha de Dilma. Oliveira nega. No dia 6 de maio, um email foi enviado a Quícoli, segundo ele, por Vinícius, sobre esse contrato extra. A mensagem trazia orientação para que fossem emitidas notas fiscais em nome da Synergy, outra consultoria de Brasília, cujo dono é Adriano da Silva Costa -o mesmo que consta da minuta de contrato como procurador da Capital. A EDRB diz que, de novo, se negou a fazer o pagamento.
Corrupção na Casa Civil: empresário acusa a Turma da Dilma.
O empresário Rubnei Quícoli disse que ficou "horrorizado" e se sentiu "lesado" ao receber a proposta de contrato da Capital Consultoria, empresa que pertence a um filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. A seguir, trechos de uma das entrevistas que o consultor deu à Folha.

Folha - Quando e como você foi apresentado à empresa Capital?
Rubnei Quícoli - Me foi apresentado o Marco Antonio [ex-diretor dos Correios]. Ele ficou durante um tempo como diretor dos Correios e me trouxe o [sobrinho dele, que trabalhava na Casa Civil] Vinícius, onde foram viabilizados esses e-mails para poder ir para a Casa Civil para demonstrar esse projeto. É lógico que o pessoal viu o tamanho do investimento e todo mundo criou uma situação favorável para ele, em termos de participação e intermediação. Acho que todo mundo que trabalha tem direito a alguma coisa, mas dentro de uma coisa normal. Estive na Casa Civil junto com a Erenice, que era a secretária-executiva da Casa Civil. A Dilma não pôde me receber, estava com outros afazeres. Ela sabe do projeto, recebeu em 2005, se não me engano. O documento foi encaminhado para o MME [Ministério de Minas e Energia]. Houve essa reunião com a Erenice, que encaminhou isso para a Chesf. A Chesf teve reunião conosco, me parece que um deles teve problema de saúde, isso acarretou todo esse tempo em que aconteceu esse contrato de participação, de intermediação. Eu fiquei horrorizado de ter que pagar R$ 40 mil por mês para eles terem um favorecimento de acesso. Para que eu vou pagar se não vai sair [o crédito]? Eles diziam que iria sair, para dar sustentação e eu pagar os R$ 40 mil. E eu decidi com [os sócios] o Aldo e o Marcelo não pagar nada e esperar ver.
Rubnei Quícoli - Me foi apresentado o Marco Antonio [ex-diretor dos Correios]. Ele ficou durante um tempo como diretor dos Correios e me trouxe o [sobrinho dele, que trabalhava na Casa Civil] Vinícius, onde foram viabilizados esses e-mails para poder ir para a Casa Civil para demonstrar esse projeto. É lógico que o pessoal viu o tamanho do investimento e todo mundo criou uma situação favorável para ele, em termos de participação e intermediação. Acho que todo mundo que trabalha tem direito a alguma coisa, mas dentro de uma coisa normal. Estive na Casa Civil junto com a Erenice, que era a secretária-executiva da Casa Civil. A Dilma não pôde me receber, estava com outros afazeres. Ela sabe do projeto, recebeu em 2005, se não me engano. O documento foi encaminhado para o MME [Ministério de Minas e Energia]. Houve essa reunião com a Erenice, que encaminhou isso para a Chesf. A Chesf teve reunião conosco, me parece que um deles teve problema de saúde, isso acarretou todo esse tempo em que aconteceu esse contrato de participação, de intermediação. Eu fiquei horrorizado de ter que pagar R$ 40 mil por mês para eles terem um favorecimento de acesso. Para que eu vou pagar se não vai sair [o crédito]? Eles diziam que iria sair, para dar sustentação e eu pagar os R$ 40 mil. E eu decidi com [os sócios] o Aldo e o Marcelo não pagar nada e esperar ver.
Quando você conversou com o Vinícius, ele se apresentou como da empresa Capital?
Não, ele disse que iria me levar para o escritório que daria a sequência do trabalho, que precisaria do escritório para dar manutenção, assessoria e consultoria para a gente não ficar desprotegido.
Não, ele disse que iria me levar para o escritório que daria a sequência do trabalho, que precisaria do escritório para dar manutenção, assessoria e consultoria para a gente não ficar desprotegido.
Erenice prometeu fazer algo?
Ela se colocou num patamar assim: "Vou ver onde eu coloco isso". Ela colocou que a Chesf seria a empresa recomendada porque está no Nordeste. Nessa condição ela agiu corretamente. [...] Até então eu nem sabia da existência da Capital, para mim o negócio estava sendo direcionado ao governo. Eu não sabia que existia propina no meio, contrato, que eu teria que pagar. Não dá para entender a pessoa deixar um filho [Israel Guerra] tomar conta de um ministério. É um projeto que foi investido muito dinheiro para parar por conta de propina.
Ela se colocou num patamar assim: "Vou ver onde eu coloco isso". Ela colocou que a Chesf seria a empresa recomendada porque está no Nordeste. Nessa condição ela agiu corretamente. [...] Até então eu nem sabia da existência da Capital, para mim o negócio estava sendo direcionado ao governo. Eu não sabia que existia propina no meio, contrato, que eu teria que pagar. Não dá para entender a pessoa deixar um filho [Israel Guerra] tomar conta de um ministério. É um projeto que foi investido muito dinheiro para parar por conta de propina.
O senhor recebeu e-mail com cobrança. O que queriam?
A ideia principal era amarrar o aporte e a manutenção de R$ 40 mil para eles porque era final de ano. A gente sabe como funciona Brasília. Eles [a Capital] queriam receber antecipadamente uma mensalidade para poder se manter. Quem está fazendo uma intermediação de R$ 9 bilhões e vai se preocupar com R$ 40 mil por mês? Não dá para entender.
A ideia principal era amarrar o aporte e a manutenção de R$ 40 mil para eles porque era final de ano. A gente sabe como funciona Brasília. Eles [a Capital] queriam receber antecipadamente uma mensalidade para poder se manter. Quem está fazendo uma intermediação de R$ 9 bilhões e vai se preocupar com R$ 40 mil por mês? Não dá para entender.
Como você reagiu quando pediram dinheiro?
Eu mandei, desculpe a expressão, para a puta que o pariu. Falei: "Vocês estão de brincadeira?" [Disse] que não assinava nada.
Eu mandei, desculpe a expressão, para a puta que o pariu. Falei: "Vocês estão de brincadeira?" [Disse] que não assinava nada.
Em que momento o Israel apareceu?
O que aconteceu depois? Isso foi informação do Marco Antônio. Ele falou que precisava de R$ 5 milhões para poder pagar a dívida lá que a mulher de ferro tinha. Que tinha que ser uma coisa por fora para apagar um incêndio.
O que aconteceu depois? Isso foi informação do Marco Antônio. Ele falou que precisava de R$ 5 milhões para poder pagar a dívida lá que a mulher de ferro tinha. Que tinha que ser uma coisa por fora para apagar um incêndio.
Quem era a mulher de ferro?
A mulher de ferro é a Dilma e a Erenice, as duas. Não sei quanto é a dívida de uma e de outra. Eu sei que a Erenice precisava de dinheiro para cobrir essa dívida. O Marco Antônio é que pediu. Eu falei: "Eu não vou dar dinheiro nenhum. Eu estou fazendo um negócio que é por dentro e estou me sentindo lesado". Aí o Marco Antônio falou: "O Israel, filho da Erenice, bloqueou a operação porque você não deu o dinheiro". Isso é a palavra do Marco Antônio. Eu respondi: "Não tenho conversa com bandido". Isso aconteceu há três meses. Foi o último contato com eles.
A mulher de ferro é a Dilma e a Erenice, as duas. Não sei quanto é a dívida de uma e de outra. Eu sei que a Erenice precisava de dinheiro para cobrir essa dívida. O Marco Antônio é que pediu. Eu falei: "Eu não vou dar dinheiro nenhum. Eu estou fazendo um negócio que é por dentro e estou me sentindo lesado". Aí o Marco Antônio falou: "O Israel, filho da Erenice, bloqueou a operação porque você não deu o dinheiro". Isso é a palavra do Marco Antônio. Eu respondi: "Não tenho conversa com bandido". Isso aconteceu há três meses. Foi o último contato com eles.
O encontro foi no escritório do Brasília Shopping. O Israel nunca pediu nada porque eu não dei chance. Eu não sabia que ele era filho da Erenice. Soube pelo Marco Antônio. Quanto à atitude dele, barrar um negócio desse por conta do dinheiro me deixou totalmente nervoso, com atitude até agressiva.
Acredite se quiser! Presidente do BB compra imóvel por R$ 150 mil em dinheiro vivo, guardado debaixo do colchão.
Da Folha:
O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, comprou um apartamento no interior de São Paulo neste ano em dinheiro vivo. O imóvel foi declarado na escritura por R$ 150 mil. Com 160 m2 de área, ele tem duas vagas para automóveis de passeio. Foi adquirido em abril deste ano da Construtora Eugenio Garcia. A Folha visitou o prédio. Um apartamento vizinho ao de Aldemir Bendine, no mesmo andar que o dele, está à venda por R$ 310 mil. A escritura do imóvel foi registrada em abril. Nela consta que a construtora fechou a compra e que o valor do imóvel foi "recebido em moeda corrente nacional". Bendine diz que fez o pagamento em notas de reais. O executivo diz que informou ao fisco guardar R$ 200 mil em casa, em dinheiro vivo. Teria gasto uma parte deste total para adquirir o apartamento. De acordo ainda com assessores de Bendine, os recursos que ele tinha em aplicações financeiras seriam insuficientes para fazer frente ao gasto. Por isso, ele recorreu ao dinheiro guardado em sua residência. O banco estatal diz que, por se tratar da vida pessoal de Bendine, não divulgará as razões que o levaram a optar por manter dinheiro em casa, perdendo os rendimentos em aplicações de instituições financeiras como o próprio Banco do Brasil. Quanto ao fato de um imóvel das mesmas dimensões que o dele estar à venda no mesmo prédio pelo dobro do preço, a assessoria afirmou que há várias explicações possíveis para a diferença. Uma delas é que, por ter sido comprado à vista, o imóvel de Bendine pode ter saído por um preço menor. A outra é que, como ele foi um dos primeiros a comprar a unidade, recém-lançada, em abril, a construtora pode ter reajustado os valores ao longo dos últimos meses.
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